26/06/09

Cinema S. Jorge de Garizo do Carmo


[Diário de Moçambique, Beira, 17 de Junho de 1953, p. 5]
Os irmãos Paraskevas, devidamente autorizados a construírem nos talhões 151, 151A e 151B, na Praça Almirante Reis desta cidade, um edifício para instalação e funcionamento nele dum Cine-Teatro, salão de chá, cervejaria e boite, têm o prazer de comunicar que adjudicaram a construção do majestoso prédio à «Companhia de Construções de Moçambique Ldª», não se tendo pronunciado, por não ser ainda a altura, sobre as propostas recebidas, para instalações de carácter especial e técnico, das seguintes firmas:
Wright & Compª Ldª de Lisboa, representada por J. Bustorff Silva; General Motors de Port Elisabeth, respresentada por Pendray & Sousa Ldª da Beira e Carriers Limitada de Johannesburg, representada por Johnson & Fletcher da Beira.
Beira, 15 de Junho de 1953.
P.P. Irmãos Paraskevas, Nicolau Paraskeva.

[Diário de Moçambique, Beira, 5 de Dezembro de 1953, p. 1 e 6]
«Estou com muito satisfeito com o ritmo de construção do novo cine-teatro S. Jorge tanto mais que se trata dum trabalho delicado, difícil e fora do vulgar: A manter-se este ritmo e se qualquer imprevisto não surgir, o S. Jorge estará pronto para Julho do próximo ano» - declarou ao «Diário de Moçambique» o arquitecto Garizo do Carmo.
[...] momentos depois estávamos em frente do arquitecto Garizo do Carmo, autor do projecto deste novo edifício ao qual ficará ligado também o nome do engº Alfredo Lorena Birne, autor dos cálculos e que nesta construção, segundo nos informou o sr. arquitecto Garizo do Carmo, tem excelentes obras de engenharia.
[...]
- Que pensa sobre o local em que fica situado o S. Jorge?
- Penso que é esplêndido e não tive qualquer dificuldade em aprovar a indicação da Câmara Municipal. Mesmo sob o ponto de vista urbanístico, está muito bem escolhido. Lembre-se que o S. Jorge ficará a servir uma zona residencial importante. E não esqueça que dará origem a um descongestionamento.
- Desejávamos saber alguma coisa sobre a sala de espectáculos...
- A sala de espectáculos é, como sabe, mista de teatro e cinema. O nosso objectivo quanto ao teatro está no facto de não haver na Beira um palco onde se trabalhe em condições. É claro que a questão comercial, para este caso, pouco ou nada interessou, uma vez que o teatro, vindo da Metrópole, aqui nos chega decadente. Mas, pelo menos, este palco trará à cidade da Beira um melhoramento apreciável e que é este de qualquer Companhia ali poder dar as suas representações, trabalhando à vontade em local apropriado que satisfaça plenamente todas as exigências da peça.
- Quantos lugares há?
- A pequena superfície do terreno obrigou a dificuldades quanto ao tamanho da sala de espectáculos. No entanto, ela comporta 1140 lugares e ainda com possibilidades de se alcançarem 1200. É claro que poderíamos chegar a esta cifra, mas, compreende, com sacrifício do público que assim deixaria de estar à vontade.
- Mais alguma coisa importante? Por exemplo, sobre o ecran, ar condicionado...
- Pode escrever que a sala ficará, possivelmente, equipada com um ecran de 38 pés e será a primeira, pelo menos na África Oriental pois eu não sei o que se passa em Angola, a apresentar o cinemascópio. E pode acrescentar que haverá nela ar condicionado e do mais perfeito fabricante, que é a fábrica «Carrier».
- Quantos lugares tem o balcão?
- Perto de 500. E há aqui um facto muito importante: o balcão avança dez metros sobre a plateia, sem uma única coluna. Isto, sob o ponto de vista da engenharia, é um trabalho de valor.
- A iluminação da sala apresenta algum aspecto interessante?
- Sim. E não só a da sala, mas também a dos «foyers». A iluminação é feita por meio de luz indirecta. E da aplicação desta luz, nasce um dos principais partidos decorativos.
- Mais alguns pormenores sobre o interior do edifício...
- Aqui tem uma coisa importante: tanto a plateia como o balcão, têm os seus «foyers» privativos. Poderá calcular, pelo que eu lhe disse sobre a superfície do terreno, que houve um pouco de sacrifício em dar um «foyer» a cada lado. No entanto conseguiu-se e eles lá estão para comodidade do público.
- Ouvimos dizer que o S. Jorge terá um salão de chá...
- Sim, um salão de chá com cozinha e copa e uma pastelaria privativa com forno eléctrico. Este salão de chá tem comunicação interna com a sala de espectáculos e dentro dele haverá um bar. E já agora, escreva que a «boite» ficará equipada com ar condicionado – 5 unidades da «Carrier».
- Passemos agora, sr. arquitecto, para o exterior do edifício...
- Posso começar por lhe dizer que houve a preocupação de valorizar artisticamente o edifício, coisa que não se costuma fazer por estas terras. Portanto ele terá, na fachada, três painéis em cerâmica policromada. Estes painéis são de autoria de Jorge Garizo do Carmo, meu irmão, um rapaz de 24 anos que esteve em Paris a cursar arquitectura e que derivou para a pintura. Conhece hoje, profundamente, a técnica da cerâmica, tendo frequentado a fábrica de cerâmica de Sèvres.
- O que representam os painéis?
- O do lado esquerdo, a figura de S. Jorge que dá o nome ao cine-teatro. O painel que envolve a entrada principal, representa o som e a luz – a síntese do cinema. Finalmente, o do lado direito apresenta-nos a música, a dança e o teatro- Todas estas figuras simbólicas são muito curiosas pela sua cor e movimento e embelezam grandemente a fachada do edifício. Posso também dizer-lhes que todos os quebra-luzes desta fachada serão em alumínio anodizado, uma coisa muito bonita e que dura eternamente...
- [...] o sr. arquitecto está satisfeito com o ritmo da construção?
- Estou muito satisfeito, tanto mais que se trata dum trabalho delicado, difícil e fora do vulgar. A manter-se este ritmo e se qualquer imprevisto não surgir, o S. Jorge estará pronto para Julho do próximo ano. [...]


[Diário de Moçambique, Beira, 12 de Novembro de 1954, p. 5]
O S. Jorge inaugura-se no dia 17 do corrente com a presença do governador Ferreira Martins
A nossa cidade vai assistir no próximo dia 17 a um acontecimento que muito a vai beneficiar no campo de diversões. Na tarde desse dia, às 15,30 hotas, o sr. Governador de Manica e Sofala, Ferreira Martins, inaugurará oficialmente o novo cinema S. Jorge, estando presentes entidades oficiais e individualidades de maior destaque do nosso meio.
Será exibido um filme de curta metragem, para que os assistentes possam apreciar o funcionamento da aparelhagem moderna de que dispõe o novo cinema, incontestavelmente um dos melhores de toda a província.
À noite, com início às 21 horas, realizar-se-á a primeira sessão, que será de gala, com trajes de «soirée». Pela ela passará o excelente filme da «Metro Goldwyn Mayer» em deslumbrante colorido, e em que Ester Williams e Van Johnson têm um desempenho admirável, coadjuvados pelo talento de Tony Martini.
Com a inauguração do Cinema S. Jorge, a Beira fica dotada de mais uma excelente casa de espectáculos, de linhas elegantes e com todos os confortos modernos, o que muito concorre para a valorizar.

[Diário de Moçambique, Beira, 18 de Novembro de 1954, p. 1]
Nascidos na Beira, os irmãos Paraskeva – Sócrates, Cleo, João, Nicolau, Alexandre e Manelau – têm sabido seguir o exemplo e as tradições, que lhes deixou seu pai, que na Beira trabalhou e aqui veio a morrer. Possuidores hoje de bens avultados, abalançaram-se à construção do cinema S. Jorge, resolvendo empregar, na terra que os viu nascer e onde têm ganho o seu dinheiro, algo que valoriza a capital de Manica e Sofala.
Não foram poucas as dificuldades a vencer para conseguirem chegar à inauguração, que ontem se efectuou e quase coincidiu com a notícia recebida telegraficamente nesta cidade e que lhes deu a saber que o Conselho Ultramarino negara, por unanimidade, provimento ao recurso interposto pela Empresa de Edificações da Beira Limitada, respeitante a um despacho de Sua Exª o Governador Geral que autorizava a construção do cine-teatro S. Jorge.

O edifício do novo cinema
A sala de espectáculos é ampla e bela, embora o balcão suspenso pareça reduzir-lhe algo das dimensões que possui, mas dando-.lhe, por outro lado, características desusadas. Comporta a nova sala de espectáculos 1200 espectadores.
O palco possui 6 camarins, podendo ser aumentado o seu número. Uma caixa de palco com 10 metros acima do proscénio recolherá, em caso de espectáculos teatrais, a estrutura do «écran».
Possui o novo cine-teatro ampla cabine de projecção, uma cabine de som, uma cabine para bombeiros, cabine de filmes e enroladeira e cabine para baterias-acumuladores.

Decoração interior e exterior desta moderna casa de espectáculos
O escultor Arlindo Rocha concebeu e realizou «Alegoria às Descobertas», «As Comadres» e «Romance de Pierrot e Columbina», que embelezam o proscénio, o balcão e a plateia.
Os painéis são da concepção e execução artística do ceramista e decorador Jorge Garizo do Carmo.
Ambos estes artistas, alunos da Escola de Belas Artes do Porto, onde Arlindo Rocha completou o seu curso de escultor, cada um a seu modo e no seu campo, deram beleza e graças às paredes e interiores da melhor casa de espectáculos que a Beira possui agora.
O painel de São Jorge é mais acessível ao comum dos observadores, e a coloração dos seus motivos principais está feita de tal maneira que as figuras principais têm movimento e vida.
É provável que não falte quem estranhe e não compreenda a linguagem dos demais painéis, todos alusivos às artes mais usadas numa casa de espectáculos, ou seja à música, a dança, o teatro ou o cinema. Todavia, o arrojo da arquitectura nova estava, em certo modo, a pedir algo de novo, mais moderno e abstracto, nas decorações.

Arquitecto: João Afonso Garizo do Carmo
A concepção arquitectónica do Cine-teatro S. Jorge pertence ao arquitecto sr. João Afonso Garizo do Carmo.
Natural da Beira, pode orgulhar-se de ter contribuído para uma obra que embeleza a terra que lhe foi berço.
Diplomado pela Escola Superior de Belas Artes com a classificação de 17 valores, o arquitecto João Afonso Garizo do Carmo deixou o seu valor e competência provados em trabalhos de decoração de várias casas comerciais de Lisboa, tais como a «Casa Galeão», da rua Augusta, «Centena e Neves», da rua da Prata, etc.
A Câmara Municipal de Lisboa entregou-lhe o projecto e direcção de execução dum bloco de 108 prédios para o bairro de Alvalade, plano de urbanização da Baixa e o projecto de arranjo da Praça da Figueira, de colaboração com o arquitecto Faria da Costa.
Deixou ainda vincada a sua passagem pela cidade do Porto, onde, de colaboração com o arquitecto Viana de Lima, planeou e dirigiu o arranjo e remodelação do «Hotel Império».
Arquitecto dos tempos novos, o cine-teatro S. Jorge é obra do seu espírito moço e do seu saber e experiência.

Engenheiro Alfredo Lorena Birne [ver também Diário de Moçambique, 24 de Julho de 1955, p. 1 e 10]
Com o arquitecto Garizo do Carmo, como engenheiro do cine-teatro S. Jorge, trabalhou incansavelmente o sr. engº Lorena Birne.
Formado pelo Instituto Superior Técnico, em 1936, o engº Lorena Birne, após a sua formatura, ingressou no quadro dos engenheiros das Obras Públicas, mediante concurso, tendo nos Serviços de Hidráulica Marítima e Fluvial projectado, calculado e dirigido trabalhos em betão armado, designadamente, as ponte-cais de Alcoutim e Vila Nova de Milfontes.
Veio para a província de Moçambique em 1945, em comissão de serviço, como funcionário os caminhos de ferro, encontrando-se actualmente, a trabalhar como particular.
Na nova casa de espectáculos, o pórtico do palco e o balcão balanceando 12 metros sobre a plateia mereceram especiais cuidados ao distinto engenheiro, que hoje pode olhar para esta obra, que se construiu também com o seu auxílio, com certo orgulho e legítima satisfação.

Electrificação do cinema
O projecto de electrificação do cine-teatro S. Jorge é da autoria do sr. engº Eugénio Rodrigues Sopa, chefe dos Serviços Municipalizados de Electricidade da Câmara Municipal da Beira.
O sr. Engº Rodrigues Sopa, que outrora exerceu com brilho as lides jornalísticas, é outro profissional competente que saiu duma das escolas do Porto, a Faculdade de Engenharia. [...]

A Companhia de Construções de Moçambique e o engenheiro Joaquim Vaz
O sr. engº Joaquim Vaz entra no número daqueles que tomaram parte relevante na construção do cine-teatro S. Jorge, porque é hoje quem dirige tecnicamente a Companhia de Construções de Moçambique, empresa construtora da nova, aparatosa e rica casa de espectáculos.
O engº Joaquim Vaz é natural do Porto, onde se formou em engenharia civil no ano de 1939.
Primeiramente funcionário das Obras Públicas, estabeleceu-se por sua conta no Porto, em 1942, tendo realizado importantes obras de empreitada, especialmente no ramo de canalizações a abastecimento de águas, a que se dedicou. Por ele foram realizadas as instalações desta especialidade dos modernos edifícios do Porto do Palácio Atlântico, Mercado do Bom Sucesso, Hotel da Praça D. João I, grande parte dos recentes prédios da parte nova da Rua Sá da Bandeira e parte alta da Avenida dos Aliados, o Seminário de Santa Joana em Aveiro, etc.
Veio para a Beira em 1952 por lhe ter sido adjudicada a empreitada das canalizações e instalações sanitárias do Grande Hotel da Beira. Aqui realizou também a empreitada dos ramais de ligação da água da Companhia às casas da cidade.
Em Agosto do ano passado foi convidado a dirigir a Companhia de Construções de Moçambique, onde actualmente emprega toda a sua actividade. [...]

[Diário de Moçambique, Beira, 22 de Janeiro de 1955, p. 5]
Inauguração do ar condicionado no cine-teatro S. Jorge
O cinema «S. Jorge» vai inaugurar amanhã, domingo, nas suas salas, ar condicionado.
Desta forma, os espectadores vão usufruir, além das excepcionais condições que a casa oferece e que todos conhecem, mais uma, a de um ambiente fresco que é, sem dúvida da maior importância.
Com a inauguração deste melhoramento, far-se-á a estreia do discutido filme italiano «Três histórias proibidas».

[Diário de Moçambique, Beira, 27 de Fevereiro de 1955, p. 9]
Sessão privada para a imprensa no Cinema S. Jorge
Realizou-se ontem, com início pelas 15 horas, no cinema S. Jorge, uma sessão privada de «cinemascope» para a imprensa e rádio desta cidade [...]
A magnífica aparelhagem com que foi dotada esta sala de espectáculos e as cuidadas condições acústicas que a caracterizam, permitiram que a projecção em cinemascope com sonorização estereofónica, feita durante cerca de uma hora, constituísse um espectáculo sem dúvida agradável e interessante de que, gostosamente, fazemos eco.
O novo sistema de projecção, que o São Jorge exibe com as dimensões de 13mx3m é, na realidade, uma fase verdadeiramente avançada da «arte das imagens animadas» a que temos de reconhecer o poder de convicção que exerce sobre o espectador, não sendo de esquecer mas, pelo contrário, de realçar, o efeito da «estereofonia». [...]

[Diário de Moçambique, Beira, 25 de Junho de 2007, p. 5]

Em Centro Cultural, na Beira: UP sem fundos para conclusão da transformação do «3 de Fevereiro», por António Cumbane
As obras de transformação do «Cinema 3 de Fevereiro» da Beira em Centro Cultural da Universidade Pedagógica (UP), delegação desta cidade, que iniciaram praticamente nos meados do ano passado, estão desde princípios de 2007 interrompidas devido à falta de fundos, segundo apurou a reportagem do «Diário de Moçambique» junto do director daquele estabelecimento de ensino, Jó António Capece.
De acordo com as suas palavras, a demora na reabilitação e mudança do cenário daquela infra-estrutura prende-se essencialmente com o facto de o dinheiro para custear a empreitada ser do fundo do Orçamento Geral do Estado, daí que a sua disponibilização dependa das prioridades do país.
«No ano passado recebemos oito milhões de meticais e foram usados todos nos trabalhos iniciais da obra. Agora, para este período, recebemos apenas um milhão, o que mostra que as prioridades que o país tinha são enormes e não deu para mais» - disse, acrescentando que em virtude disso, a obra está interrompida e os respectivos empreiteiros, nomeadamente a JD’Sousa Construções, Shichil e ACEL estão momentaneamente parados.
«Os empreiteiros não abandonaram a obra, eles saíram porque não há dinheiro, logo que houver eles voltarão ao trabalho» - garantiu Capece.
As actividades de transformação do «Cinema 3 de Fevereiro» da Beira começaram praticamente no ano de 2005, período marcado principalmente pelo lançamento público do concurso de reconstrução do referido empreendimento e trabalhos de arquitectura.
No ano em referência, segundo a fonte, ficou marcado que a empreitada ficaria concluída 24 meses depois, o que significa que, mesmo havendo demora, até meados de 2007 o trabalho estaria concluído. [...]

(textos do DM recolhidos pelo Dr Antonio Sopa)

3 comentários:

Os Espirito Santo disse...

Amigo Fernando, obrigado por esta memorália. Pois o meu, falecido pai e eu, trabalhámos neste cinema durante anos, o meu pai como chefe de cabine e u como projectionísta. Desde a formada sociedade dos cinemas da Beira, o primeiro dono os irmãos Parraskivas, e depois da sociedade feita era do Engínio Monteiro(cinema Olympia e Palácio) o Victor Gomes (cinema Nacional). Foi graças às constantes avarias do ar-condicionado que eu me formei em Refrigeração com a Carrier de Johannesburg e ao falecido arquitecto Garizo do Carmo meu professor na Escola Industrial e Comercial Freire d'Andrade aí na Beira... Bem Hajas caro amigo. José Espírito Santo http://osespiritosanto.blogspot.com/

Zé Povinho disse...

Foi neste cinema que vi o primeiro filme para maiores de 17 anos quando tinha apenas 12. Estudei ali perto, no antigo Luís de Camões.
Abraço

Lígia disse...

Caro Fernando, Que registo magnífico. Neste cinema vi, aos 10, 11 anos, os famosos filmes indianos que nos deixavam com os olhos cheios de lágrimas. Neste momento também os tenho húmidos de tristeza pelo abandono em que encontrei a minha Beira quando por lá passei a última vez , em 1998. Será que melhorou?!